Combustíveis dão origem a cinco queixas todos os dias

Os combustíveis dão origem a uma média de cinco queixas por dia por parte dos consumidores. O preço motivou 139 reclamações em cinco meses e é a segunda causa, logo a seguir aos 240 "protestos" causados pelo mau atendimento nas estações de serviço. A Entidade Nacional para o Mercado de Combustíveis (ENMC) registou ao todo 792 queixas entre maio e setembro.

Os preços praticados nos postos de combustível não estão no topo da lista das reclamações recolhidas pela ENMC desde maio, altura em que as competências passaram para a alçada desta entidade, mas ainda assim representam 18% do total. "Há queixas que se ligam com a redução abaixo do custo do crude nos mercados internacionais. No fundo, os consumidores acham que os preços em bomba nunca acompanham as descidas da cotação do petróleo. Nesses casos, elaboramos uma nota explicativa aos reclamantes", explica Filipe Meirinho, diretor da Unidade de Produtos Petrolíferos da ENMC.

O atendimento, a causa número um das reclamações, relaciona-se com a forma como os funcionários dos postos de combustível lidam com os consumidores. Nestes casos, a ENMC elabora recomendações para melhorar o atendimento, sugerindo, por vezes, a criação de normas de conduta dirigidas aos trabalhadores.

A obrigatoriedade de vender combustíveis simples ("low cost") em todos os postos do território nacional entrou em vigor em abril último e a verdade é que a qualidade da gasolina ou do gasóleo motivou apenas sete queixas em cinco meses, situando-se mesmo no último lugar do ranking das reclamações recolhidas pela ENMC.

Os motivos que explicam a indiferença dos consumidores ao fator qualidade são vários. Vítor Machado, responsável técnico da Deco Proteste, lembra que a etiquetagem que explica a composição de cada combustível, medida que entrou em vigor com a introdução dos "low cost", é incompreensível para a grande maioria dos cidadãos. Para complicar ainda mais o cenário, saiu entretanto uma portaria que permite às petrolíferas não divulgarem toda a composição nos autocolantes, ao abrigo da proteção de segredo comercial.

"É verdade que os combustíveis simples acabam por ter o mesmo desempenho que têm os aditivados. A Deco provou isso com a sua iniciativa Igual ao Litro, em 2012, altura em que quase só os hipermercados vendiam os "low cost". Testámos alguns aditivados e combustíveis simples e a conclusão é que não havia diferença", explica Vítor Machado.

A pouca diferença de preço entre os combustíveis simples e os aditivados foi sempre motivo de polémica. O preço médio do gasóleo "low cost" situava-se, anteontem, apenas 3,5 cêntimos por litro abaixo da versão aditivada do mesmo combustível. "Algo está mal com o mercado. Por exemplo, é estranho as marcas terem promoções permanentes, nomeadamente para clientes de hipermercados ou bancos. Os preços base não estarão inflacionados?", questiona Vítor Machado.

fonte:http://www.dinheirovivo.pt/

publicado por adm às 11:20 | favorito